O Bom pastor e seus comentários

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os Demônios (Pneumatologia = Aula 02)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Na Dinâmica do Espírito
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Aula 02 = Os Demônios 28/02/2010.
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A existência de seres espirituais malignos governados por satanás é abundante nas Escrituras. Contudo, o assunto de sua origem não recebe tratamento detalhado na Bíblia. Sabemos que demônios são anjos caídos, que se rebelaram contra Deus e perderam o privilégio de servi-lo. “Demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e hoje continuamente praticam o mal no mundo”.

A expressão grega “daimônion” (demônio) significa em sua origem possivelmente “dilaceração” ou “separar rompendo”. No Antigo Testamento os termos sêdîm e se’îrîm sempre enfatizaram o caráter mal destes seres celestiais caídos. Embora o Antigo Testamento não fale muito do assunto, fica claro que idolatria, magia e bruxaria relacionavam-se a ações demoníacas (Dt 32.17; Sl 96.5). Essas práticas eram terminantemente proibidas por Deus a seu povo (Dt 18.10-14; I Sm 15.23). O Novo Testamento usa o termo daimonion com o sentido do Antigo Testamento, ou seja, um espírito mau; e afirma a sua natureza completamente maligna e que estão destinados a compartilhar da condenação eterna juntamente com satanás (Mt 25.41; Ap 20.10-15).
Outros termos usados no Novo Testamento para designar os demônios são: akatharton = espírito imundo (Mc 5.2,3) e ponera = espírito maligno (At 19.12-16). A maioria dessas expressões é utilizada em relação à possessão demoníaca.

Há duas teorias sobre sua origem. A primeira é baseada em textos bíblicos tais como (Mt 25.41; II Pe 2.4; Ap 12.7-9) e sustenta que uma multidão de anjos caiu em pecado seguindo a satanás em sua rebelião contra Deus. A segunda especula que os demônios são os filhos ilegítimos de anjos que se casaram com mulheres antes do dilúvio (Gn 6.2; Jd 6 – nephilîm = gigantes). Estes seres brotaram de seus corpos quando foram destruídos por Deus. A base verdadeira para essa teoria é o livro pseudoepígrafo I Enoque (10.11-14; 16.1; 86.1-4) e não a Bíblia. Esta idéia foi aceita por Justino Mártir e influenciou a teologia católica através de Tomás de Aquino na Suma Teológica.

Orígenes defendeu que a queda dos demônios se deu antes da criação do mundo (De Principis 2.9.6) e foi seguido por Agostinho (De genesi ad literem 3.10) e posteriormente Pedro Lombardo (Sentenças 2.6). A igreja cristã como um todo tem seguido esta interpretação. Gruden defende que a queda deve ter ocorrido logo após o final da criação (Gn 1.31) e antes da tentação de Eva por satanás (Gn 3.1), porque Deus vira a sua obra e tudo (inclusive todos os anjos) era muito bom. Curiosa é a teoria rabínica que especulava que os demônios se rebelaram quando Deus descansava no sábado ou que eram os construtores da Torre de Babel que foram transformados em demônios como castigo por sua arrogância. A queda dos demônios é declarada em 2Pedro 2.4, Judas 6 e Apocalipse 12.7, onde se afirma que os demônios se rebelaram contra Deus e se tornaram hostis à sua Palavra, pelo que Deus os mantêm na condenação eterna. Seu pecado foi “não guardar o seu estado original”, motivados por concupiscência e orgulho. O livro apócrifo de I Enoque 12.4 diz que eles “desertaram o céu altaneiro e sua santa posição eterna”.

Tanto Paulo quanto João entendem que a atividade demoníaca aumentará nos tempos do fim e muitos homens serão seduzidos a segui-los (I Tm 4.1, Ap 16.13-14); por isso Paulo exorta aos cristãos a estarem preparados para enfrentarem principados, potestades e os dominadores do mundo tenebroso sempre (Ef 6.10-18).

Sua ação pode ser apresentada como:
1. Os demônios se opõem a toda obra de Deus, tentando destruí-la (Mt 4.1-11; Jo 8.44).usam de qualquer artifício para cegar as pessoas ao evangelho (2Co 4.4) e mantê-las presas a coisas que as impeçam de aproximar-se de Deus (Gl 4.8). Para alcançar esses objetivos usam de tentações, dúvida, culpa, medo, confusão, doença, inveja, orgulho, calúnia a fim de anular o testemunho cristão das pessoas.

2. Os demônios estão limitados pelo controle da soberania divina. Eles só podem fazer o que Deus permite, e nada mais (Jó 1 e 2). Os cristãos podem resisti-los pela mediação de Cristo (Tg 4.7). Como o pecado é debilitante e destruidor o poder dos demônios é inferior ao que tinham antes de pecar. Eles não são onipotentes, nem onipresentes e nem ainda oniscientes, prerrogativas exclusivas do Ser de Deus (atributos incomunicáveis. Cf.: Is 46.9,10; Dn 2.27,28).

3. A Escritura traça uma ligação clara entre a idolatria e o culto a demônios (Dt 32.16,17; Sl 106.35-37; I Co 10.20; I Jo 5.19). O culto a demônios sempre leva a práticas destrutivas e imorais (Sl 106.35-37; I Rs 18.28; Dt 23.17; I Rs 14.24; Os 4.14).

4. Jesus dá autoridade a todos os crentes de repreender e expulsar demônios (Lc 9.1; 10.17,19; At 8.7; 16.18). A armadura de Deus é um instrumento poderoso na nossa luta contra o reino de satanás e seus demônios (Ef 6.10-18). Podemos resisti-los firmes na fé (Tg 4.7; I Pe 5.8,9). Cristo despojou os principados e potestades de seu poder, expondo-os ao desprezo (Cl 2.15). Quem vence a satanás e seus seguidores só pode faze-lo por meio do sangue de Cristo (Ap 12.11).
O termo “possessão demoníaca” não é bíblico; a tradução literal da expressão daimonion echein é “ter demônio” ou “ser demonizado”.

Os relatos bíblicos dos Evangelhos sobre a possessão demoníaca aludem a algumas características:
1. Aflição física ou mental da pessoa sujeita à ação demoníaca. Nudez, angústia mental (Mt 8.28-33); mudez (Mt 9.32) cegueira (Mt 12.22) e demência (Mt 4.24) são alguns exemplos. Em alguns casos inclui-se: Conhecimento superior e preditivo (At 16.16; Tg 2.19) força incontrolável (Mt 8.28).

2. O demônio invasor sempre reconhecia e temia a Cristo (Mt 8.28; Lc 4.34).

3. O poder de Cristo fica claro ao serem expulsos unicamente pela sua palavra (Mt 4.24; mc 7.30). Os discípulos faziam o mesmo após receberem a autoridade de Cristo (Mt 10.1; Lc 10.17). Essa mesma autoridade é prometida a todos os crentes (Mc 16.17).

Essa capacidade de expulsar demônios é apontada no Novo Testamento como sinal da presença do reino de Deus entre os homens (Mt 12.22; Lc 10.17) e também foi a causa da grande popularidade do ministério de Cristo no seu início (Lc 4.36).

A libertação do demônio incluía:
1. Confissão de fé em Cristo como seu salvador.
2. Arrependimento, confissão e abandono dos pecados cometidos.
3. A decisão de seguir um novo caminho de vida seguindo a Cristo.

Com o passar dos séculos, idéias não bíblicas foram introduzidas no entendimento da igreja sobre a possessão demoníaca:
 Justino Mártir acreditava que os demônios eram os filhos da união sexual entre anjos e homens (II Apologia 5).
 Orígenes acreditava que cada pessoa era acompanhada por um demônio e por um anjo, que tentavam constantemente influenciar suas decisões (De Principis 3.2.2-4). Acreditava ainda em demônios específicos “demônios dos vícios”, que agiam somente em determinados tipos de pecados.
 Agostinho e Tomás de Aquino ensinavam que os demônios poderiam atacar as pessoas de tal forma a poderem praticar atos sexuais com homens e mulheres (De potentia 6.8,57; Summa Theologica 1.51.3.6).

Aplicaçõs:
1. Não duvide da existência dos demônios, mas também não creia naquilo que a Bíblia não ensina sobre eles, ainda que seja dito por pessoas influentes ou até eminentes. A revelação da verdade é uma prerrogativa exclusiva de Deus; os demônios sao anjos caídos seguidores do diabo, que é o pai da mentira.

2. Não tema aos demônios, mas aquele que é o criador de todas as coisas eseres, que é Deus. Todavia não ignore seus intentos. Discernimento espiritual é algo que aprendemos com o tempo, a experiência e especialmente com a obediência à palavra de Deus, a Bíblia sagrada.

3. Os demônios podem assediar e oprimir qualquer tipo de pessoas, mas eles jamais poderão "possuir" um cristão verdadeiro. A mesma coisa não pode ser dita de "membros de igreja" que não obedecem ao evangelho que dizem crer e proclamar.

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