O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 11 de junho de 2011

Aula 15 = A Universalidade do Pecado - Imputação


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Par Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 15= A UNIVERSALIDADE DO PECADO – IMPUTAÇÃO. (12/06/2011).
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1. A HISTÓRIA DAS RELIGIÕES E DA FILOSOFIA atesta da universalidade do pecado. A pergunta de Jó, “Como seria justo o homem perante Deus?” (Jó 25.4) tem caráter universal. Tanto as religiões pagãs como a filosofia grega antiga atestam uma consciência universal do pecado, e a necessidade de reconciliação com o Ser Supremo. Todos foram constrangidos a admitir a sua universalidade, mesmo não sendo capazes de explicá-lo apropriadamente. O otimismo superficial do século XVIII, que proclamava a inerente bondade do homem, nunca se demonstrou verdadeiro na prática, pois o homem continua praticando os mesmos pecados dos séculos passados!

2. A BÍBLIA ENSINA CLARAMENTE a pecaminosidade universal do homem (1 Rs 8.46; Sl 143.2; Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.1-12, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1 Jo 1.8, 10).

Várias passagens da Escritura ensinam que o pecado é herança do homem desde o seu nascimento e, portanto, está presente na natureza humana tão cedo que não há possibilidade de ser considerado como resultado de imitação (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6). Em Efésios 2.3 diz Paulo que os efésios eram “por natureza” filhos da ira, como também os demais” indicando uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido. Então, o pecado é uma coisa original, da qual participam todos os homens e que os faz culpados diante de Deus. Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que nunca exerceram uma escolha pessoal e consciente (Rm 5.12-14). Esta passagem implica que o pecado existe no caso de crianças, antes de possuírem discernimento moral. Desde que sucede que as crianças morrem e, portanto, o efeito do pecado está presente na situação delas, é simplesmente natural supor que a causa também está presente.

Finalmente, a Escritura ensina também que todos os homens se acham sob condenação e, portanto, necessitam da redenção que há em Cristo Jesus. Nunca se declara que as crianças constituem exceção a essa regra (Veja as passagens citadas acima e também Jo 3.3, 5; 1 Jo 5. 12). Não contradizem isto as passagens que atribuem certa justiça ao homem, como Mt 9.12, 13; At 10.35; Rm 2.14; Fp 3.6; 1 Co 1.30, pois esta pode ser a justiça civil, cerimonial ou pactual, a justiça da lei ou a justiça que há em Cristo Jesus.

A DOUTRINA DA ALIANÇA DAS OBRAS.
Adão tinha uma dupla relação com os seus descendentes: Chefe natural da humanidade e chefe representativo de toda a raça humana na aliança das obras.
(1) A relação natural. Em sua relação natural, Adão foi o pai de toda a humanidade. Quando foi criado por Deus, embora tivesse vida humana perfeita, seu estado diante de Deus estava sujeito a mudança, ele poderia cair no pecado.
(2) A relação pactual. Era composta de vários elementos positivos:

(a) Um elemento de representação. Deus ordenou que nessa relação pactual (aliança) Adão seria o representante de todos os seus descendentes. Conseqüentemente, ele foi o chefe da raça, não somente num sentido paterno, mas também num sentido pactual (federal).

(b) Um elemento de prova. Enquanto que, sem essa aliança, Adão e os seus descendentes estariam num continuado estado de prova, em constante risco de pecar, a aliança garantiu que a perseverança persistente por um período fixo de tempo, seria recompensada com o estabelecimento do homem num permanente estado de santidade, bem-aventurança e comunhão imperdível com Deus (vida eterna).

(c) Um elemento de recompensa ou punição. Segundo os termos da aliança, se permanecesse fiel e obediente durante o tempo de prova, obteria legítimos direitos à vida eterna. E não somente ele, mas também todos os seus descendentes participariam dessa bênção. Portanto, em sua operação normal, as disposições pactuais seriam de incalculável benefício para a humanidade. Mas havia a possibilidade de que o homem desobedecesse, e, nesse caso, os resultados seriam correspondentemente desastrosos. A transgressão do mandamento incluso na aliança redundaria em morte. Adão escolheu desobecer, corrompeu-se pelo pecado, tornou-se culpado aos olhos de Deus e, como transgressor (pecador), sujeito à sentença de morte. E porque ele era o representante pactual (federal, chefe da aliança) da raça, sua desobediência afetou todos os seus descendentes.

Em sua reta justiça, Deus imputa a culpa do primeiro pecado, cometido pelo chefe da aliança, a todos quantos se relacionam federalmente com ele. E, como resultado, herdam desde o nascimento uma condição corrompida e pecaminosa, e essa corrupção inerente envolve culpa também. Esta doutrina explica porque somente o primeiro pecado de Adão é-nos imputado, e não os seus pecados subseqüentes, nem os dos nossos outros antepassados. Também salvaguarda a impecabilidade de Jesus, pois Ele não era uma pessoa humana, mas divina; e, portanto, não fazia parte da aliança das obras, mas da graça, da qual é nosso cabeça representante. Lembremo-nos de que Cristo é uma pessoa divina com uma natureza humana e outra divina. Como a base de seu relacionamento pactual com Deus não é a aliança das obras, Deus não imputou a culpa de adão sobre a sua natureza humana.

Mas, O Que é Imputação? Como Acontece a Transmissão do Pecado?
Na linguagem bíblica e teológica, imputar pecado significa “colocar sobre”, “creditar de forma legal na conta de alguém” a culpa do pecado e também o perdão mediante a graça. E, por culpa, não se quer dizer o crime em si, nem a sua contaminação moral, mas a obrigação judicial para satisfazer a justiça. Por conseguinte, o mal conseqüente da imputação não é uma imposição arbitrária; não é meramente uma desgraça ou calamidade; nem um castigo no sentido próprio da palavra, mas uma punição. Quando o pecado é imputado a alguém, esse alguém paga a penalidade do pecado, a dívida com a justiça sobre uma base legal.

Para que se entenda o conceito de imputação do pecado de Adão sobre a humanidade (nós), é necessário que se entenda primeiro a imputação de nossos pecados a Cristo. Tanto a imputação do pecado de Adão a nós como de nossos pecados a Cristo, e o da justiça de Cristo a nós, são da mesma natureza (Rm 5.15-21; I Co 15.21,22). Um caso ilustra o outro. Quando dizemos que os nossos pecados foram imputados a Cristo, ou que Ele levou sobre Si os nossos pecados, não quer dizer que Ele realmente cometeu os nossos pecados ou que foi moralmente incriminado por causa deles. Ele simplesmente assumiu o nosso lugar (agindo substitutivamente, vicariamente) tomando a nossa maldição sobre Si.

De igual modo, a justiça de Cristo é imputada aos crentes, não querendo dizer que eles realizam aquela justiça, ou que eles foram agentes realizadores dos atos de Cristo na obediência à lei; nem que o mérito da justiça de Cristo foi mérito deles; nem que isto constitua o caráter moral deles; mas simplesmente significa que a justiça de Cristo, agindo graciosamente com os planos divinos, para o benefício do Seu povo, em nome deles, como representante deles, foi atribuída por Deus aos pecadores.

Conclusão:
a) O foco da imputação visa a aplicação da graça antes que a do pecado.
b) Cristo, mais que Adão é o ponto de partida da imputação (2 Co 5.21).
c) A imputação não é uma explicação para o pecado, mas para o seu julgamento (Rm 6.23).
d) A imputação enfatiza a natureza coletiva e solidária do pecado na humanidade sem anular a culpa dos pecados pessoais.
e) A imputação da justiça é arbitrária (um ato livre e imerecido de Deus), mas a imputação da culpa é apropriada, recebida por herança.
f) Por ser forense, a imputação não precisa ter base objetiva na vida da pessoa (2 Co 5.21). A humanidade não foi apenas declarada culpada, ela tem colocado em prática a sua culpa. Cristo não foi apenas declarado nosso representante, ele ofereceu sacrifício expiatório por nós morrendo numa cruz.

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Bibliografia: Louis Bekhoff, Teologia Sistemática, ECC, p. 223-230. R. K. Johnston. “Imputação”. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. 3, Vida Nova, p.324-325.

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