O Bom pastor e seus comentários

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terça-feira, 5 de maio de 2015

E Deus Dirá: Não! (Amós 8)


E Deus dirá: Não! (Amós 8)

         Todos os anos os telejornais anunciam o lucro líquido dos maiores bancos nacionais (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e outros). Suas cifras anuais sempre ultrapassam a casa dos bilhões de reais de lucro. Isso sempre soa muito mal aos nossos ouvidos; pois nossos governantes dizem que não podem baixar as taxas de juros porque senão o país quebra. E assim nós brasileiros pagamos ano após ano as mais altas taxas de juros do mundo e sustentamos uma prosperidade financiada pelo sofrimento da maioria em favor de uma minoria abastada.

         O profeta Amós também viveu numa época de grande prosperidade ilusória, em que a nação de Israel se expandia firmemente sob o governo de Jeroboão II. Era um tempo de muitas construções e Samaria estava cheia de palácios novos. Dinheiro era gasto à toa, sem licitação nem nada. A sociedade estava entregue ao luxo e à luxúria. Nunca esqueçamos que a luxúria de alguns, é financiada pelo sofrimento de muitos.

         A sua mensagem condena o abuso do poder no âmbito social e religioso. Ao mesmo tempo em que denuncia a vida desregrada dos palácios de Samaria, denuncia a religião hipócrita e pagã dos israelitas dos templos de Betel e Gilgal.

Sua mensagem soa como um rugido de leão, que estremece e incomoda. Deus rugirá como leão contra os pecados de seu povo! (1.2; 3.8; 5.19). Deus levanta os seus olhos contra o reino pecador (9.8) e decreta o fim de toda e qualquer opressão, seja social ou religiosa.

O livro de Amós tem três divisões claras que podemos classificar assim:
(1) Oito fardos (Cap. 1 e 2). São profecias contra oito nações. (2) Três sermões de julgamento (Cap. 3 a 6). (3) Cinco visões (Cap. 7 a 9). Gafanhotos, fogo, prumo, frutos de verão e de Deus sobre o altar.

         O capítulo 8 faz parte da última seção. Seu objetivo é condenar a opressão que se esconde atrás de uma exultante religiosidade de aparência, deixando claro o fato, a necessidade, a época e a inevitabilidade do juízo de Deus. Uma falsa religiosidade causa uma falsa fome de Deus, fazendo dele um deus de conveniências. Para que haja restauração da nação é preciso que haja um pacto com a justiça, e esse pacto começa na adoração.

A falsa adoração tem um fim trágico (v.1-3), as pessoas não poderão rejeitar a palavra de Deus para sempre. Pois chegará um momento em que ele dirá “basta! Chega!”. A opressão dos pobres receberá o castigo justo de Deus. (v.4-14), pois é sacrilégio contra Ele. Amós nos ensina que Não podemos separar a fé da moralidade; não podemos esconder a opressão debaixo de um cobertor de fé exultante; e não há esperança para quem se contamina, assim como só há esperança onde houver mudanças.

Olhando para a situação de nosso país, precisamos tomar a decisão de sermos um povo diferente; que cobra dos governantes, não só porque tem consciência de seus direitos, mas porque cumpre fielmente seus deveres. À parte disso só nos restará uma coisa: O rugido assustador do Leão!

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