O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vultos da Nossa História (01) Ashbell Green Simonton


Hélio O. Silva.
29/07/2004.

Pastoral:                                 Em Nenhum Outro Lugar.

“Agradeço a Deus todos os caminhos por onde me levou e gostaria de estar exatamente onde estou, em nenhum outro lugar, pois este é, creio, meu campo de trabalho”.[1]

Quando vemos pela TV americanos fazendo gestos obscenos para as câmaras dos aeroportos brasileiros externando todo o seu desprezo por este país e pelo seu povo, num ar de vitimada superioridade, é confortante saber que no passado este outro americano descobria ser a mais abençoada vontade de Deus ele viver entre nós gastando a sua vida pelo evangelho aqui.

O americano que disse essa frase não era um surfista encantado com as praias brasileiras, tampouco um homem de negócio atrás de uma mina de ouro. Ele era um missionário, que como tantos outros vieram trazer a palavra de Deus ao Brasil. No seu país havia recebido vários e insistentes convites de boas igrejas a fim de por lá permanecer e fazer brilhante carreira pastoral; visto que era bom e fiel pregador, formado sob a disciplina de renomada escola teológica e familiarmente ligado à tradição de gente consagrada ao evangelho. Mas ele escolheu mesmo assim vir para o Brasil.

Aqui chegando em 12 de agosto de 1859, ainda gastou mais oito meses para conseguir falar a nossa língua. Seu primeiro trabalho em português foi uma aula de Escola Dominical (22/04/1860). Quando outros achavam que a missão deveria mudar de cidade, com perseverança e dificuldades fundou a primeira Igreja Presbiteriana do Brasil no Rio de Janeiro (12/01/1862). Crendo que a palavra escrita caminha mais rápido que a pregação nos templos, criou o primeiro jornal evangélico do país batizando-o com o nome de “Imprensa Evangélica” (10/1864). Ciente de que sem educação não se aprende a ler para ler a Bíblia, fundou uma escola paroquial. Auxiliado por outros que chegaram, viu nascer não só mais uma igreja em São Paulo, mas também arquitetou a organização do primeiro presbitério e participou da ordenação do primeiro pastor genuinamente brasileiro, José Manoel da Conceição (16/12/1865). Crendo na verdade do seu chamado e na potencialidade de crescimento da igreja brasileira, fundou o nosso primeiro Seminário (1867). Mesmo sabendo das obstruções legais ao avanço da obra protestante no Brasil, sonhou e começou a preparar a construção de um templo, que não viu acontecer, pois o Senhor o chamou à sua presença antes. Ele faleceu em 09/12/1867, vítima de febre amarela em São Paulo, e o templo só começou a ser erguido em 1873, por uma intervenção especial do Imperador D. Pedro II..

Esse americano que cedo aprendeu a amar o Brasil é Ashbel Green Simonton. O Brasil daquele tempo não era melhor que o Brasil de hoje. As lutas da igreja daquele tempo não eram mais fáceis que as de hoje. Resta saber se o amor dos crentes de hoje pelo Brasil é do mesmo calibre do amor dos crentes daquela época.

Para Simonton, estar no Brasil era motivo de gratidão. Estar no Brasil era certeza da vontade de Deus para a sua vida. Estar no Brasil era estar no seu campo de trabalho. Às vezes, nós presbiterianos desprezamos o gênio de Simonton, achando que a nossa história é uma história de pequenos vultos. Não é bem assim, Simonton era um homem dotado de maturidade, talento, excelente preparo acadêmico e consagrado a Deus e à causa do evangelho. Ao comemorarmos mais um aniversário da IPB, não nos esqueçamos de que Deus nos colocou aqui, e não precisamos querer estar em nenhum outro lugar. Com amor, Pr. Hélio.




[1] Ashbel G. Simonton, Diário de Simonton, 2ª ed., 31/12/1859, p.136.

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