O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

17= Apropriando-se da Graça (II)



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Helio O. Silva.
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17 = Apropriando-se da Graça (II)                                                                         06/06/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 179-191.
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Hebreus 4.15,16 / João 12.24.
Apropriar-se da graça é tomar posse da força divina que ele deixou disponível a nós em Cristo (p.170). Para esse fim Deus nos deu quatro meios principais:
(1) A oração; 
(2) A Palavra; 
(3) Submissão à sua providência. 
(4) O ministério de outras pessoas. Nesse estudo veremos os dois últimos.

(3) A providência = submissão a deus
Deus dá graça àqueles que se tornam humildes em suas mãos (I Pe 5.5,6). Nossa tendência é não aceitarmos a providência divina, mas resistirmos a ela com murmurações, preocupações e reclamações; até mesmo com rebeldia declarada! Isso é soberba e Deus resiste aos soberbos. Todavia, só nos humilharemos sob a poderosa mão de Deus quando entendermos que ele de fato governa soberanamente todas as coisas sobre todas as circunstâncias, boas ou ruins de nossa vida, tal como Jó e José aprenderam.

Jó perdeu tudo o que tinha num só dia, inclusive todos os seus filhos. Depois foi acometido por feridas doloridas por todo o seu corpo. Jó, porém permaneceu firme em sua fé (Jó 1.21; 2.10). Jó entendeu que seus sofrimentos vinham de Deus em função de seu governo soberano sobre tudo (Jó 42.11). O autor bíblico mostrou a ação maldosa de satanás contra Jó, mas no final apontou para o fato de que nem satanás poderia ter feito qualquer coisa contra Jó sem a permissão de Deus.

José foi vendido por seus próprios irmãos para a escravidão no Egito. Depois o próprio José os informou que sua atitude cruel cumprira a vontade de Deus para a vida e preservação de todos (Gn 45.8). A graça divina nos leva a crer e entender que até os pecados mais odientos das pessoas são usados por Deus para o nosso bem!

Precisamos a ver a mão de Deus por trás de tudo tanto como poderosa como paternal. Deus disciplina seus filhos para aproveitamento (Hb 12.11). Disciplina positiva e corretiva juntas, pois é prova do amor encorajador divino (Hb 12.5,6) que visa aproveitamento e santidade (Hb 12.10). Essa disciplina pode ser tanto curativa quanto corretiva, consolando na aflição ou acertando as arestas de nosso caráter pecaminoso. Em tudo isso, a base da ação divina para conosco é o seu amor.
É difícil ver a mão de Deus nas adversidades porque acreditamos equivocadamente com o mundo que o maior bem dessa vida é a felicidade, entretanto, a santidade é um bem maior que a felicidade para Deus. Deus quer produzir santidade antes de felicidade. Sua preocupação primordial é o nosso bem eterno, não o nosso bem temporal. Todas as circunstâncias que vivemos é para Deus nos tornar participantes de sua santidade.
A grande questão em si não é o reconhecimento da soberania divina sobre tudo e seu amor paternal conduzido tudo isso, mas a grande questão é submeter-se! Durante o sofrimento, a única forma de identificar e apreciar a graça de Deus é submetendo-se a ela. Deus dá a graça somente aos humildes perante os outros e principalmente perante ele, como no verso do hino cristão antigo:

Senhor, estou disposto
A receber o que e dás,
A carecer do que seguras,
A abrir mão do que me tiras,
A sofrer o que me aplicas,
A ser o que de mim requeres.

A submissão precisa acontecer na fé de que ele, no devido tempo, nos exaltará. O devido tempoé depois que a adversidade tiver cumprido seu papel divino em nossas vidas, pois o Senhor não rejeitará para sempre (Lm 3.31-33). A humilhação perpetrada pela mão divina sempre desemboca na exaltação. Foi o que aconteceu com José e com Jó (Jó 42.12). Às vezes as circunstâncias não são mudadas, mas recebemos poder capacitador para suportá-las, como Paulo e o espinha na sua carne (II Co 12.9,10).

Como adquirir essa fé perseverante? Lançando toda nossa ansiedade sobre ele porque ele tem cuidado de nós (I Pe 5.7). Mesmo quando Deus nos corrige, sua intenção é cuidar de nós e ainda partilha de nosso sofrimento angustiando-se com as nossas angústias (Is 63.9). Algo maravilhoso na declaração de Pedro é que podemos lançar nossas ansiedades em Deus porque ele “tem cuidado” de nós, ou seja, é porque ele já cuida que podemos contar com ele, e não para que ele passe a cuidar! Até mesmo nisso o Espírito Santo é nosso consolador e capacitador.

(4) O ministério de outras pessoas = ministros da graça
Deus ordenou que no corpo de Cristo os membros cooperassem com igual cuidado uns com os outros (I Co 12.25). A reciprocidade é que nos faz ser canais da graça uns para com os outros. Gostamos de falar que servimos aos outros, mas temos muita dificuldade em deixar que outros ministrem a nós servindo-nos. Para nós reconhecer que temos problemas é sinal de fraqueza, ao invés disso queremos aparentar que temos a vida sob controle. Quando mais relutamos em aceitar que precisamos dos outros é quando mais precisamos da ação da graça em nosso caráter.

A Bíblia nos incentiva a termos e a pertencermos a um pequeno grupo de amigos perante os quais possamos ser transparentes e vulneráveis. Nesse grupo inclui-se o cônjuge (para quem é casado). Lembremo-nos de que a relação conjugal é mais profunda que uma amizade excelente, pois é uma relação de total intimidade: Os dois são uma só carne.

Muitas cremos equivocadamente que a iniciativa do auxílio mútuo deve ser de quem vai ministrar, mas se não reconhecemos nossa necessidade de ajuda como o outro saberá para ajudar?
Logo, o que podemos pedir? 
(1) Apoio em oração. 
(2) Ajuda para aceitar e aplicar as Escrituras às nossas necessidades específicas. 
(3) Conselho para ver a necessidade numa perspectiva correta e mais objetiva e sem exageros.

O Novo Testamento enfatiza a mutualidade por meio do servir uns aos outros, orar uns pelos outros etc. Ministrar a graça uns aos outros é servir de instrumento da ação do Espírito Santo na vida uns dos outros. Não há auxílio só de uma mão, mas de mão dupla, pois reciprocidade e mutualidade envolvem doação de ambas as partes, ou seja, quem doa recebe e vice-versa (2 Co 8.14). Como se ministra uns aos outros? Pela oração, pela Palavra e ajudando a submetermo-nos juntos à providência divina. Para dar é preciso receber permissão, e para receber é preciso dar permissão (p.187).

Aplicações:  
Como podemos ser instrumentos eficazes da graça uns aos outros?
  1. Orando persistentemente uns pelos outros em momentos de necessidade.
  2. Mostrando de forma clara e segura de que nos importamos verdadeiramente. Fazendo contato e expressando sinceramente nossas dificuldades em lidar com situações de desconforto (luto, enfermidade etc.). Não fazendo contato somente quando nos encontramos na igreja, mas especialmente de forma propositada em outras ocasiões.
  3. Compartilhando as escrituras com sensibilidade e não como se fosse uma pregação provocativa. Consolando usando textos bíblicos que nos consolaram em nossas próprias dificuldades.
Caso seja você quem precise de ajuda:
a)      Admita que precisa de ajuda dos outros e busque-a.
b)      Peça a Deus que te dirija a pessoas específicas com as quais poderá desenvolver relacionamento mútuo. Interceda por elas e convide-as para um encontro informal onde possam conversar.
c)      Não se surpreenda se Deus fizer algo inesperado e compartilhe sua vida, não somente suas lutas.

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