O Bom pastor e seus comentários

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domingo, 17 de julho de 2011

A Necessidade de Métodos de Estudo Bíblico (Junho de 2003)


A NECESSIDADE DE MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

O Estudo da Bíblia é para Todos.

Deus não nos deu as Escrituras simplesmente para tê-las, ou guardadas na estante ou abertas sobre uma mesa no salmo 23 ou 91. O desejo de Deus é que sejamos bons obreiros que manejam BEM a palavra da verdade (II Tm 2.15), pois sua intenção é que seus ensinamentos sejam aplicados à vida de cada um, habilitando-nos para as boas obras de Deus (II Tm 3.16,17).
Logo depois de seu batismo, Jesus passou 40 dias no deserto sendo tentado pelo diabo (Mt 4 e Lc 4). O diabo lança três tentações contra Jesus. Jesus as rebate usando as Escrituras. Satanás também usa as Escrituras para tentar a Jesus citando o Salmo 91.11,12. Ao conferirmos o texto citado por Satanás, constatamos o fato claro de que ele não cita errado o texto, em vez disso, ele faz mal uso da passagem, torcendo a intenção original do salmista.
Assim como Satanás tentou seduzir e enganar a Jesus usando a Bíblia, ele também o faz conosco. A melhor maneira de não cairmos nas armadilhas “bíblicas” do diabo é aprendermos a manejar bem a palavra da verdade (II Tm 2.15).

I. O Mal Uso das Escrituras:
A pergunta a ser levantada é: Como e quando podemos usar mal as Escrituras? Vejamos cinco exemplos simples:

1. Usamos mal as Escrituras quando ignoramos o que ela diz sobre um dado assunto.
A ordenação de homossexuais ao ministério vem se tornando uma prática comum em igrejas estrangeiras, e este movimento vai se fortalecendo também no Brasil, pois já existem “igrejas” fundadas por homossexuais ou simpatizantes em funcionamento. No entanto, a Bíblia condena expressamente as práticas homossexuais (Lv 18.22; Rm 1.26,27, I Co 6.9-11). Podemos ignorar ensinos bíblicos claros por simples desconhecimento ou por pura rejeição deliberada. O segundo caso se constitui em pecado de rebeldia contra Deus.

2. Usamos mal as Escrituras quando tomamos um verso fora de seu contexto.
Isso pode ser entendido de duas formas:
a) Quando isolamos um verso de contexto imediato.
Exemplos clássicos são: Isaías 41.6 (interpretar uma mensagem de otimismo, enquanto o contexto fala de idolatria); Rute 1.16,17 (sermões de casamento, enquanto o texto fala de amizade entre duas mulheres); Eclesiastes 4.9-12 (relacionamento conjugal, enquanto o texto fala de companheirismo em viagens perigosas na região montanhosa da Palestina).
b)Quando isolamos uma afirmação de seu contexto doutrinário mais amplo.
Podemos ler João 16.24 e achar que Deus responderá sempre positivamente qualquer oração que fizermos, mas ao olharmos para Marcos 14.36 e I João 5.14,15 concluímos que não é bem assim, outros fatores precisam ser levados em conta no nosso entendimento de como fazer bom uso da oração em nosso crescimento espiritual.

3. Usamos mal as Escrituras quando fazemos uma passagem dizer o que ela não diz.
Lendo Marcos 16.17,18, muitos afirmam estar ali a obrigatoriedade do falar em línguas como
sinal do batismo do Espírito Santo. Porém, o texto está simplesmente descrevendo que esses acontecimentos acompanharão a Igreja em algumas situações relacionadas à expansão do evangelho, doutra sorte os outros elementos citados no texto (expulsão de demônios, ingestão de veneno etc) também deverão ser interpretados obrigatoriamente como sinais do batismo pois a narrativa do texto está no plural e não no singular (“estes sinais”).

4. Usamos mal as Escrituras quando enfatizamos indevidamente coisas menos importantes dentro do texto.
Será que Judas participou ou não da ceia? De onde veio a esposa de Caim? Paulo pregou ou
não o Evangelho na Espanha? A carta de Paulo aos Gálatas foi enviada à Galácia do norte ou do sul? São questionamentos desnecessários a uma compreensão correta e eficaz do texto, mas que sempre são levantadas como entrave por muitas pessoas. São perguntas interessantes, mas não importantes para o entendimento decisivo da Bíblia.

5. Usamos mal as Escrituras quando tentamos levar Deus a fazer a nossa vontade, em vez de nos submetermos à Sua vontade.
Um rapaz ou uma moça apaixonados lêem Mateus 18.19 e se convencem de que determinada
moça ou rapaz devem casar consigo. Então em “obediência” a esse texto chamam um ou uma colega para orarem a Deus para “pegarem” a moça ou o rapaz de seus sonhos. A Bíblia não foi escrita para isso.

II. A Necessidade de Métodos de Estudo da Bíblia:
Precisamos aprender a “manejar bem a palavra da verdade”, isso significa aprender a usar as regras de interpretação e aplicá-las ao nosso hábito de estudar a Bíblia.
Métodos de estudo não são regras de interpretação, mas linhas de orientação que facilitam a aplicação das regras de interpretação na compreensão do texto sagrado.
a) Ajudam a termos objetividade no estudo.
b) Ajudam no aprendizado, memorização e repasse do ensino.
c) Ajudam na preparação do discipulado e evangelização.
d) Facilitam a formação de convicções bíblicas sólidas.

III. Princípios de Estudo Bíblico:

1. Você deve fazer investigação original. Atos 17.11.
Conferir a verdade é uma atitude nobre. É preciso prestar muita atenção nas afirmações bíblicas. É importante que nossas convicções se formem em torno do que a Bíblia realmente diz.

2. Você deve fazer uma reprodução escrita:
Esta é a diferença básica entre ler e estudar. Quando você aprende a escrever a sua pesquisa, adquire unidade e coerência de pensamento.

3. O seu estudo deve ser constante e sistemático:
Exemplos bíblicos: At 17.11, “todos dias”; Josué 1.8, “dia e noite”; Salmo 1, “dia e noite”. Não estude aleatoriamente (sem rumo certo), mas seguindo um programa que lhe dará objetividade. Exemplo: Ler livros inteiros da Bíblia e tentar compreender a sua mensagem (Ex. João; Habacuque). Escolha assuntos específicos e pesquise-os dentro de cada livro bíblico que esteja lendo no momento (Ex. A Santificação; A Segunda Vinda de Cristo, O Espírito Santo, os Dons Espirituais etc).

4. O seu estudo precisa ser compartilhável:
O objetivo do estudo bíblico é o discipulado (instruir a outros - II Tm 2.2). Você deve buscar o seu crescimento a fim de ser usado por Deus no crescimento dos outros. Deus quer que nos tornemos cooperadores na sua obra (I Co 3.9).

5. Você deve aplicar o seu estudo primeiro à sua própria vida:
Ler e não obedecer é olhar no espelho e depois esquecer a sua aparência (Tg 1.22). O estudo da Bíblia deve ser “pão provado” [1] antes de ser repassado no discipulado a outros.

6. Seja PERSISTENTE:
Esta é a diferença entre a maturidade e a estagnação. Não desista, ainda que seja difícil; o sacrifício sempre valerá a pena, porque Deus abençoa (Sl 126.6).

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Notas:
[1]Harold Cook, O Livro de Monóculos, CEP,São Paulo, p.?
Leia mais em: Métodos de Estudo Bíblico, Walter Henrichsen, Mundo Cristão, 3ª Ed., São Paulo, 1986.

4 comentários:

Anônimo disse...

Pr. Hélio, Parabéns pela matéria A Necessidade de Métodos de Estudo Bíblico. Achei muito interessante no auxilio da compreensão dos textos bíblicos e evitar especulações.
Continue sendo uma bênção!

Márcio Albino

Alexandre Lustosa disse...

Olá, Pr. Hélio.
Muito bom o texto sobre a "necessidade de métodos de estudo bíblico". A igreja evangélica moderna tem se esquecido de práticas simples como o estudo bíblico pessoal para o crescimento individual. Aprendeu, erroneamente, a ouvir as mensagens dominicais como quem vai ao supermercado adquirir um produto. Se agrada, volta; se não, procura outro.
Abraço.

Anônimo disse...

Muito bom o port Rev. Hélio. Hoje padecemos do mesmo mal que os crentes de Tessalônica, abraçamos a palavra mas nos esquecemos de conferir se o que está dito confere com as escrituras, como fizeram nossos irmãos de Bereia.
É importantíssimo conhecer o contexto, o propósito original de quem escreveu, os destinatários e relacionamento com outros textos da época e o que a própria Bíblia fala nos textos correlatos, como o senhor menciona. Que o Senhor da Igreja faça aumentar sua sementeira para honra e glória Dele.
Abraço fraterno.
Francis - Juiz de Fora/MG

Paulo Viana disse...

O texto é bastante esclarecedor. O maior problema é quando a Bíblia mostra claramente o que devemos fazer e não temos a coragem de enfrentar a mudança.

Prossigamos...

Paulo Viana.

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