O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

1 Samuel 19.1-7 = Falarei a Teu Respeito a Meu Pai - Administrando Conflitos Positivamente


Texto: 1 Samuel 19.1-7.
Tema: Falarei a Teu Respeito a Meu Pai
Rev. Helio O. Silva = Goiânia-GO - 17/01/2016.
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Introdução:               
         Como agir em meio a conflitos que simplesmente não se resolvem? Como ser um pacificador, um conciliador?
         Há doze princípios chaves que devemos tomar consciência sobre conflitos que podem nos orientar na conduta que tomaremos como intermediadores de conflitos:[1]
1.     O conflito é um terreno escorregadio.
2.     O conflito começa no coração.
3.     As nossas escolhas têm consequência.
4.     As escolhas sábias são melhores que as escolhas “à nossa maneira.”
5.     O jogo da culpa só piora os conflitos.
6.     O conflito é uma oportunidade.
7.     Os cinco passos abaixo podem resolver os conflitos.
®   Ver No conflito uma oportunidade.
®   Vise a glória de Deus.
®   Veja primeiro a trave no seu olho.
®   Vá e mostre o erro do seu irmão (confrontação).
®   Vá e reconcilie-se.
8.     O perdão é uma escolha.
9.     Nunca é tarde demais para fazer o que é certo.
10.                       Pense antes de falar.
11.                       É mais provável que as pessoas escutem uma comunicação respeitosa.
12.                       O apelo respeitoso pode prevenir o conflito.
Esses doze passos fazem parte da estratégia do currículo do livro The Young Peacemaker (O Jovem Pacificador) não publicado ainda no Brasil.

Proposição:
Para resolver conflitos entre pessoas queridas, precisamos aprender a falar bem delas uns para os outros. Vejamos como Jônatas fez isso:

Contexto:
         Davi venceu Golias e passou a morar com a família de Saul. Saul o colocou como chefe de uma de suas tropas e Davi era bem sucedido em todas as campanhas que Saul o enviava (1 Sm 18.5).
         Quando eles retornavam de suas campanhas, as mulheres das vilas saiam ao encontro do exército cantando e dançando dizendo: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (1 Sm 18.6). Isso deixou Saul muito indignado (v.8) e logo percebeu que a profecia de Samuel se cumpriria e que Davi seria o próximo rei (v.8). “Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos” mais; e passa a planejar a sua morte. Ele temia a Davi (v.12) E ele o afastou de si (v.13). Ele o promoveu fazendo dele um capitão de mil soldados para fazer “entradas militares” na esperança de que Davi morresse no campo de batalhas. Mas, Davi simplesmente não morria e crescia mais e mais em prestígio e Saul reconheceu que Deus era com ele (v.28). Por isso, ainda mais o temia e continuamente foi seu inimigo (v.29).
         O capítulo 19 narra a ação de Jônatas para tentar por fim a essa inimizade entre seu pai e o seu melhor amigo Davi.
        
I.                  Jônatas instruiu a davi a ter cautela na situação – v.2,3.

a)    Cautela.
Ele sabe que todo conflito é escorregadio e que por isso não devemos e podemos nos dar ao luxo de agirmos por impulso ou precipidamente. Ele já tinha visto isso acontecer várias vezes na sua experiência familiar como filho do homem Saul, antes dele ser o rei Saul.
Conflitos podem ou não serem resolvidos puramente com base nas atitudes e atos pessoais dos envolvidos. Coisas pequenas podem colocar tudo a perder. Atitudes, percepções, interpretações dessas ou daquelas palavras; sentimentos mal expressados ou expressados com ira ou impaciência geram comportamentos que criam conflito e desconfiança.[2]
A origem de tudo isso está em como recebemos e lidamos com a adversidade no coração. Iras, ciúmes, invejas, maledicência, maldade. Tudo isso nasce no coração.

b)    Discrição – fique escondido e oculto.
A falta de discrição acende muitos pavios curtos.

c)     Transparência – verei o que houver e te farei saber.
A transparência põe em relevo a realidade e os fatos e nos ajuda a ver claramente as coisas para poder agir com prudência e sensatez. Agir no escuro ou mal informado é muito triste e perigoso.

II.               Jônatas expõe a incoerência do intento de seu pai – matar davi – v.1,4,5.

a)    Saul torna pública sua intenção de matar a Davi – v.1.
Porque o temia muito como rival do seu reinado; porque tinha inveja dele (1 Sm 18.9 – tradução da NVI). Porque carregava consigo sentimentos confusos sobre a razão porque Deus o rejeitara como rei.

b)    Jônatas fala bem de Davi a Saul, seu pai – v.4.
Jônatas não sente e nem carrega as pressões da realeza nas suas costas.
Você pode pensar: “_ É fácil defender o melhor amigo!”. Mas não é fácil fazer isso diante de um pai que você respeita e não quer desonrar.

c)     Jônatas expôs a incoerência do intento de Saul – matar a Davi – v.4,5.
®   Não peque contra quem não pecou contra você.
®   O que ele fez foi muito importante para Israel e para você.
®   Você mesmo se alegrou e usufruiu da sua vitória.
®   Pecar contra um inocente é pecar sem causa.
Percebam que ao falar bem de Davi ele não denigre o seu pai. Ele confronta sua atitude equivocada sem afrontar a sua autoridade.

Por que ele fez assim?
d)    Jônatas colocou o foco em Deus como Senhor de Saul e de Davi – v.4,5.
Deus abençoou a todo Israel por intermédio de Davi.
Como podemos ajudar positivamente em conflitos?
Veja como Paulo aconselhou à Igreja de Filipos a agir no caso do conflito entre Evódia e Síntique (Fp 4.3):
Há três atitudes que podem nos ajudar a oferecer uma auxílio que auxilia:
(1) Ajudar a focalizar o esforço conjunto. Nenhum problema é resolvido sem o esforço das duas partes. Ajudar não é “por panos quentes”, nem pedir para “não ligar”, ou ainda, “deixar que o tempo apague e cure tudo”. Auxiliar é mostrar o lado positivo da reconciliação. Muito mais que um ato de humilhação é um ato de restauração do que foi perdido e agora é achado de novo pelo perdão cristão. Isso traz à lembrança os bons momentos, não o desentendimento, porque o pecado morre diante do perdão.

(2) Ajudar a focalizar a herança cristã comum. Aqueles que cooperam na obra do Evangelho têm os seus nomes escritos no livro da vida. O verdadeiro motivo da alegria cristã é sermos salvos juntamente em Cristo. Por isso, a salvação em Cristo é um grande incentivo para que a união no trabalho seja restabelecida. A alegria da cooperação é maior e melhor que a indiferença da separação, porque o seu fruto é gracioso e eterno.

(3) Evitar auxílios que não auxiliam. Precisamos nos conscientizar dos perigos e evitá-los a bem da unidade da igreja e da reconciliação entre os irmãos. Algumas atitudes podem ser mais doentias que curativas, como as seguintes:
1. Auxiliar é diferente de ser omisso. Deixar para lá e dizer que cada um resolva seus próprios problemas nem sempre é uma atitude cristã, mas é omissão de socorro. Você pode preferir a inoperância à benção de ajudar na restauração, contudo, lembre-se de que quem escondeu o talento recebeu de Jesus uma repreensão mais severa (Mt 20.24-30).
2. Auxiliar é diferente de ser aliado. Tomar partido não é ajudar é aumentar o fogo da fogueira do problema.
3. Auxiliar é diferente de ser dissimulador, ou seja, tentar ocultar ou disfarçar a importância do problema, tampar o sol com a peneira. A bajulação não é amizade, é pecado!
4. Auxiliar é diferente de ser traidor. Judas traiu Jesus com um beijo. Não se pode brincar com a confiança alheia. Os traidores calam quando têm de falar e falam quando têm de calar.

III.           toda A estratégia de ação de Jônatas visava a reconciliação – v. 6,7

a)    Saul atendeu à defesa de Jônatas –v.6.
®   Saul jurou por Deus que não o mataria.

b)    Jônatas promoveu o encontro da reconciliação – v.7
®   Contou-lhe todas essas palavras.
®   E o levou a Saul.
®   E esteve Davi perante este como dantes.
A reconciliação é o principal agente da integração e o alvo do perdão. Não querer conversar revela dureza de coração. Somos cristãos por causa do perdão. Somos cristãos para aprender a praticar o perdão!

Conclusão:[3]
Jônatas foi eficaz nessa sua primeira ação reconciliadora. Não será na próxima vez, conforme narrado no capítulo 20.
Por isso precisamos nos lembrar de mais dois detalhes:
Primeiro: Nem sempre seremos eficazes, pois a reconciliação não depende do pacificador, mas dos envolvidos. Eu não posso perder o sono por causa de pecados que eu não cometi. Se visamos a glória de Deus e procuramos mostrar aos envolvidos a oportunidade de crescimento através do conflito e que nunca é tarde para se fazer o que é certo, então cabe lembrar aos envolvidos no conflito que perdoar ou não perdoar é uma escolha deles mesmos.
Segundo: Lembre-se de que para auxiliar com eficácia precisamos conhecer e saber medir os limites da nossa confiabilidade. Ao pedir a uma pessoa específica para ajudar em Filipenses 4.3 (o fiel companheiro – Sizygos) Paulo levantou a questão: Quem é o mais útil? Nem sempre é o pastor, mas uma ou outra vez poderá ser até mesmo você. Por isso pergunte-se: Sou a pessoa mais indicada? Sou confiável? Serei imparcial? É assim que você pode oferecer um auxílio que auxilia.

 Aplicações:
1.     Não se omita em ajudar os outros a resolverem conflitos.
2.     Seja cauteloso e transparente.
3.     Focalize Deus, seu amor; sua graça; seu perdão e a benção da reconciliação.
4.     Não se aflija desnecessariamente se não der certo, mas alegre-se festivamente se Deus te usar.

Frase final:
Esteja consciente que muitas vitórias que obtemos aqui na terra são parciais, assim como muitas derrotas também. Mas tenha consciência de que a paz da reconciliação, ainda que não dure muito, é sempre paz e deixa saudades e planta no coração o desejo da mudança. É por isso que vale muito a pena ajudar!




[1] Ken Sande & Tom Raabe. Os conflitos no Lar e as Escolhas do Pacificador. NUTRA, pg, 289,290
[2] Gary Collins. Aconselhamento Cristão. Vida Nova, p. 287.
[3] Albert Mohler. Desejo e Engano. Ed. Fiel- p. 75-83.

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