
Hélio O. Silva 10/05/2007
Derramar-se. (I Samuel 1.9-18).
Ana é de longe um grande exemplo de mulher que apontamos como um referencial para todas as mães da igreja. Um dos motivos para tal é a associação bíblica de sua maternidade com a resposta de Deus a uma oração sua. Ana não vivia no nosso tempo cheio de avanços e descobertas científicas, mas as suas dores eram as mesmas de muitas mulheres que não podem ser mães.
A sua oração nos cativa pela sua simplicidade, especialmente pela objetividade dessa simplicidade. Nenhum mito resiste à força da narrativa de sua dor que foi transformada em alegria. A alma atribulada de Ana a levou à beira da anorexia. Mas a benção da resposta de Deus a levou à saúde e à maternidade feliz.
Para Ana orar é derramar-se; fazer correr de dentro para fora todas as suas mágoas, amarguras e frustrações; entornar, por outro lado, tudo aquilo que a enche por dentro e a sufoca. A linguagem piedosa de outros tempos já dizia que orar é depositar diante de Deus o que temos conosco.
Com Ana aprendemos que o “como” da oração não é determinado pelas tendências teológicas da igreja, mas pela capacidade cúbica da alma. Estando cheio o coração daquilo que o sufoca e mata, através da oração, e diante de Deus, podemos nos esvaziar e sobreviver. Há vozes que dizem que a oração deve manifestar confiança e ousadia, mas na boca de Ana ela não ultrapassa o sussurro, o mexer trêmulo de lábios e o escorrer copioso de lágrimas dos olhos, por onde a alma se derrama (v.10,12 e 13).
A oração de Ana é um vexame para os pastores da prosperidade, porque é uma petição que espera pela resposta concessiva de Deus (v.17) e não uma reivindicação de suas promessas eternas. No entanto, é a oração de Ana que está registrada na Bíblia e não as orações dos pastores da prosperidade! Que vexame! Que maravilha da graça de Deus!
A oração de Ana combate a lei do aborto que o Senado federal quer por quer aprovar no Brasil. Pois ela pede um filho... O bem estar do seu corpo era experimentar a vocação de ser mulher e assim sendo, ser mãe. A oração de Ana é a oração de uma jovem que está pronta para a maternidade.
A oração de Ana não era um descarrego de fobias, pois não evoca qualquer maldição para a ou da sua rival Penina. Suas provocações não são sequer mencionadas na oração (v.6). A oração de Ana nos ensina que a cura para os males sociais não é a aprovação de leis que limitam os outros enquanto nos libertam, mas a cura da sociedade é a cura das pessoas.
Por fim a oração é um veículo de cura! Uma mulher que não comia ou bebia depois de orar a Deus renova as suas forças, come e bebe; e o seu semblante já não era triste (v.18). A oração de Ana não é um padrão, mas um incentivo que fala alto. Tribulações, ansiedades e aflições podem ser derramadas na presença de Deus e na casa de Deus; no culto e com a presença do pastor e tudo! E Deus que vê tudo e ouve tudo nos abraçará.
Com amor, Pr. Hélio.