Hélio O. Silva (20/07/2002) A Sala das Penas Rasgou-se o travesseiro, libertando as penas brancas que custavam o preço do meu perdão. Cada pena uma ofensa proferida, um perdão retido; uma mágoa guardada, inveja, cobiça, pecados; e muito mais. Foram invocados o tempo e o vento. Os nomes foram ditos, lavrada a sentença. Nas mãos os panos rasgados do travesseiro. Diante dos olhos, a sala das penas. Eu tentei recolhe-las, mas eram muitas. Espalhadas por toda parte, leves, soltas no ar. Rodopiavam e riam de mim, que inutilmente catava daqui e dali. Quantas eu poderia alcançar antes do vento soprar? Por isso corria apressadamente. Estavam por toda parte, em todo lugar, brancas e brilhantes, subindo e descendo. Dançavam o balé que eu não conseguia seguir. Quantas mais eu pegava, tantas mais haviam para recolher. Eu me cansava e me desesperava. Por isso corria apressadamente. Cada vez se espalhavam mais e distanciavam-se umas das outras. Elas riam suavemente...
Blog do Rev. Helio Silva